quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Apaixonada por um Paquistanês - parte 20


By Mariyah

Os novos planos logo se fizeram inviáveis, o cunhado do Hathi recapitulou e desistiu de sair do emprego porque havia resolvido iniciar obras de expansão na casa e não podia assumir o risco de ficar sem dinheiro, caso não fosse bem sucedido em Dubai. Aquilo me fez, mais uma vez, questionar a lógica paquistanesa (se é que ela existe (rs)), afinal, o cunhado havia dito ao Hathi que queria muito sair do país e buscar uma melhor qualidade de vida, pra ele e pra família... investir em imóvel no Paquistão me pareceu contradição... De qualquer forma... planos suspensos...

Em agosto com a Everyn na minha casa, com o casamento marcado no Paquistão, eu pensava que talvez tivesse coragem de ir até lá se fosse com ela. Só que o verão paquistanês me desanimava (a temperatura chega a oscilar entre 45 e 50 graus...believe me!), e meus compromissos em São Paulo me impediam de ir de imediato. Além de tudo, a idéia por si só de ir até lá me era imensamente desagradável. No entanto, eu também não tinha mais energia pra manter um relacionamento virtual. Estava no meu limite.

No início da segunda quinzena de agosto, a Everyn embarcou. A essa altura, o pensamento de ir pra lá volta e meia me tomava. Só que eu tinha medo, muito medo. E, achava que se ele gostava mesmo de mim, teria que fazer o sacrifício...afinal, eu já estava indo pra além do meio do caminho. Foram inúmeras as brigas. Quando eu começava a cogitar a hipótese acabava por discuti-la com amigos e minha analista, com minha irmã... fora uma ou outra amiga mais aventureira (as próprias cuja impulsividade eu sempre criticava), todos eram unânimes em catalogar a idéia como absurda. Bem, eu iria...até Dubai, pelo menos, eu iria. Ele QUE SE VIRASSE pra ir me ver E SE NÃO FOSSE QUE TAVA TUDO ACABADO MESMO, porque significaria que ele não gostava MESMO de mim (e baixinho, mentalmente, bem baixinho, pra que nem eu mesma pudesse escutar: e se ele num for mesmo, quem sabe “num me dá uns 5 minutos” e como diz a Eve “eu me jogo” e vou! – puta! comigo mesma por fazer tal consideração...).
Comecei a estudar o calendário. Bom, com a Eve não dava – compromissos e muito quente; setembro também não – Ramadã, e eu não estava afim de não poder comer e beber em público e, pior, de nem sequer poder encostar meu dedo mindinho no Hathi; outubro...é, começo de outubro! Comuniquei o Hathi...e morri de raiva. Depois de todos os meses longos de espera e crises existenciais, depois de todo o tempo me achando a louca, destemperada, problemática, que “gosta virtualmente de um muçulmano, paquistanês, cheio de problemas e conflitos”, enfim, de me ver como uma pessoa que, como diz mamãe, “leu contos de fadas demais na infância”, depois de concluir que apesar dos pesares e de todo o drama fantástico, sim, a gente se veria de alguma forma e outubro era a época... ele me diz: minha irmã vai ter o bebê (sim, ela já estava grávida antes de completar um ano de casada e não, ela não entrará no livro dos recordes da concepção, porque para paquistaneses e muçulmanos o lema “sou casada, logo procrio” cai como uma luva...(rs)) bem na época que você quer vir e ela deverá estar em casa para o nascimento e eu tenho a obrigação de levá-la ao hospital e lá permanecer com ela durante os dias de internação (oi!??? Como dizia a Rani da novela: Onde está marido?). Surtei! Quis saber por que diabos ele ia fazer as vezes de pai da criança! E ele: é assim que funciona aqui! (como eu disse, eles não giram bem... e a diferença cultural, em pequenos detalhes, pode ter um impacto atordoante e enervante... hello!, complementei: a gente nem se viu, mas já decora, se um dia eu tiver casadoada com você e a ponto de parir e você não estiver todos os dias bem grudado em mim, seja compartilhando da minha cama, ou dormindo no sofá ao lado – se no quarto do hospital – nem precisa aparecer pra pegar a lembrancinha de “oi, cheguei!” do bebê!). Mas, é cada uma mesmo! Meu estresse só aumentava... em resumo: eu ia viajar para o outro lado do mundo, talvez tivesse que ir pra além do mundo (Paquistão) para encontrar um cara, um homem grande crescido, escondido (da família dele afff), que eu conheci virtualmente, pelo qual absolutamente sem noção me apaixonei, que não queria se dar à tensão de ir me ver a duas horas de distância... para tudo, né! Não pode ser normal! Poxa, mas eu já fazia terapia há cinco anos... não é possível que não tinha servido pra nada! E o pior, ainda me olha e diz: também não venha antes de tal e tal data, porque eu vou estar ocupado com a mulher e filho alheios (não, eu não sou insensível...e, sim, eu sei que a mulher alheia e o filho alheio eram respectivamente irmã e sobrinho dele, mas poxa...e eu? *triste*). Tive que engolir mais essa... por que eu concordei? Racionalmente nenhuma razão, irracionalmente → eu tinha que vê-lo.
Comprei as passagens até Dubai, tirei o visto para os Emirados e, por precaução, meu visto para o Paquistão e... explodiram o Marriott...e o dólar danou-se a subir... que feliz! Era eu me organizando e as coisas se desestruturando ao meu redor... Explosões em Lahore, onde ele mora, se tornaram frequentes... começou a ladainha: não venha! E quem disse que eu queria ir? Foi me dando um medo tremendo... e angústia. Não tinha comprado passagem para o Paquistão. Queria tanto que ele fosse até Dubai... depois quis tanto que o Paquistão estivesse tranquilo... mas, sobretudo queria vê-lo. Mas, eu tinha medo e não achava certo. E isso era motivo suficiente pra me perturbar. Então, enquanto ele me dizia “não venha” e os dólares galopavam em direção ao infinito... eu me perguntava se valia a pena tudo isso e chorava (rs). Quase enlouqueci as pessoas ao meu redor. Minha insegurança era tanta que só faltou eu perguntar a opinião do guardinha do meu quarteirão. Foi quando a Carol (amada azedinha doce) confirmou a ida, no mesmo dia e vôo que o meu para Dubai. Guria corajosa, teve lá seus dilemas, mas disse eu vou (à Islambad) e foi mesmo! (rs) Foi um drama! Ele, de fato, não iria a Dubai! E eu, de direito, fiquei super magoada! Nessa época conheci a Cintia, uma outra menina brasileira que morava em LAHORE!, demais de querida, que me dizia vem, vem, vem! E fazia coro com a Eve. Ela dizia vem, ele não vem. Ela dizia ser seguro, ele perigoso. Fui cismando. Ou ela sabe-se lá por quais motivos obscuros queria me matar, ou ele, sabe-se lá por quais motivos “obscurissíssimos” não queria me ver. Fui flutuando com o dólar até quando, dez dias antes do embarque, comprei o trecho Dubai – Paquistão. Falei pra ele, um dia ele exultava, no outro me mandava devolver a passagem. Eu relia a carta enviada por ele, um mês atrás pela Everyn, em que ele dizia o quanto seria emocionante nos vermos... e chorava, mais, de raiva, tristeza, medo, expectativa etc Liguei na companhia aérea e me avisaram: você pode pedir reembolso até vinte e quatro horas antes do embarque... dia 24 de outubro de 2008 embarquei pra Dubai, minha ida à Lahore estava agendada para uma semana depois, exatamente...

3 comentários:

Thaís disse...

Ler sua História Mariyah me dá um frio na barriga...... deve ser por ter várias coisas mirabolantes na mente....... rsrsrs

Na melhor parte......
Aguardando cenas do próximo cap.

rsrs

Carol by Carol disse...

hehehhhee eu vi tudo isso de perto
quase tive que enfiar ela no aviao, vai guriaaaaaaaa

Karla Reis disse...

aaahh gente como eu demorei para vir ler toda a história..q até agora sinceramente APAIXONANTE!! Eu só me imagino embarcando nesse avião.
quero maaaaiiis!!!!

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