quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Apaixonada por um Paquistanês - parte 22


By Mariyah
Ao meu lado viajava um senhor paquistanês radicado no Reino Unido (morava em Londres), muito simpático, que ao me ver preenchendo o papel da imigração me abordou: mas, você é brasileira?. Bien sûr, monsieur, de São Paulo! E senta que lá vem estória... Um sobrinho havia conhecido uma brasileira pela internet, ele me contava o fato como atípico (rs), e depois de algum drama estavam casados e morando felizes no Brasil. Fiquei curiosa e perguntei detalhes, sem fazer qualquer menção a minha situação, mas não se tratava de nenhum dos casos que eu já conhecia.
Alguns minutos após as três da manhã, meu vôo chegava em Lahore. Não antes sem que eu presenciasse um dos primeiros momentos-comédia que me proporcionariam o povo paquistanês. Pouco antes da descida, o piloto anunciava a chegada ao país e pedia que as pessoas apertassem os cintos para o pouso e acertassem as cadeiras. Quase que instantaneamente, dezenas de pessoas soltaram os cintos, levantaram-se e começaram a retirar suas bagagens dos respectivos compartimentos. Eu só me dei conta do fato quando uma comissária desesperada veio percorrendo o corredor berrando para que as pessoas sentassem e atassem os cintos, no que era solenemente ignorada. Eu olhava para aquilo sem entender o que se passava na cabeça daquele povo e, quando começava a rir visualizando as pessoas sacarem de seus paraquedas e saltarem com suas malinhas debaixo do braço avião afora, ouvi a voz ameaçadora e irritada do chefe de cabine coagir as pessoas a sentarem, com mala e tudo na mão (rs). Cerca de cinco minutos depois, a despeito da confusão, o avião aterrissava.
Era tudo tão emocionante. Fiz que nem em filme, respirei bemmm fundo, como se pudesse trazer a cidade pra dentro de mim. O ar era quente e seco. Desci as escadas um pouco tensa, sem saber ao certo o que me esperava, foi quando me dei conta de que eu não tinha tomado nota do endereço do hotel ou dos telefones da Cintia. Só rezava para que ela de fato estivesse lá. Passei com tranquilidade pela imigração e fui retirar minhas malas. Estava exausta, mas “adrenalinizada”, o que me deixava “ligada”. Quando localizei minhas malas, verifiquei que uma delas tinha o cadeado arrebentado. Foi o estopim para um surto psicótico. Olhei para um dos homenzinhos fardados que ficavam do lado da esteira e ralhei: minha mala foi arrebentada e eu quero formalizar uma reclamação! Mas, acho que devo ter pronunciado essas palavras com um ar de louca, porque o moço se desconcertou e depois de uma sequência de really, madam?, sorry, madam! how come, madam? me apontou para um posto de fiscalização, fui adiante e ignorei o raio-x, em dois minutos vários guardinhas me cercaram e eu nervosa brigava em inglês por causa do cadeado quebrado, eu falava rápido e estressada, mais pelo cansaço que pelo cadeado em si, tanto é que até um deles sugerir, eu não tinha me dado conta de que não havia vistoriado a bagagem, foi quando abri a mala e vi que estava tudo lá (rs). Só sei que deixei todos tão atordoados que nem pelo raio-x passei. Não retornei para as vistorias e ninguém se manifestou (rs). Passei pelas portas automáticas e minha primeira impressão foi a de que viajei no tempo, dezenas de verdinhos, em suas vestes típicas que me lembram pijamas me encaravam. Era algo como “um desfile de moda parisiense (ou milanês, ou novaiorquino, como quiserem, é só pra dar a dimensão...), ambientado no tempo de Cristo, para uma platéia não de celebridades euro-americanas, mas de paquistaneses barbados, sendo que eu era a versão mais volumosa e curta da Gisele Bündchen, exibindo minha tentativa frustrada de orientalização de trajes ocidentais”. Dei um suspiro de alívio quando escutei alguém me chamando pelo nome, em bom português (rs). Corri para o abraço. Poucas vezes fui tão feliz (rs). Cintia e sua sogra fofa. Esta última me agarrava tal qual uma “Felícia” (vide personagens tiny-toons) e me estalava as bochechas com beijos sem fim.
Eram quase quatro da manhã quando chegamos ao hotel. Falávamos sem parar. O lugar era novo, pequeno, e ficava em Gulberg, um bairro bem legal de Lahore. Ficava a cerca de 500 metros do Liberty Market, um dos mais cheios de coisinhas interessantes pra comprar, perto do Fortress Stadium (onde rolam as partidas de cricket, bem próximo de onde recentemente tentaram o extermínio em massa da seleção do Sri Lanka aff), perto do Subway, do Mc Donald´s, da Masoom´s (uma confeitaria que amei bem muito, onde eles têm uma tentação chamada “death by chocolate”... hahahahaha, sim, até as sobremesas paquistanesas podem ser fatais!) e de uma, pessoas acreditem!, The Body Shop, onde larguei muitas rúpias, muitas rúpias e fui feliz! (rs)
Enfim, o hotel era bom, não fosse por três importantes detalhes: o quarto estava imundo; todos os funcionários, sem exceção (o que inclui a parte de serviço de quarto), eram homens; o quarto não tinha janelas. Entramos no quarto, novo, simpático, mas sujo. Quilos de poeira, cinzas de cigarro sobre a mesa, lençóis não muito branquinhos e banheiro cavernoso (medo!). Olhei para a Cintia, que olhou para a sogra, que entendeu o recado e pôs o povo pra trabalhar. Como o ar-condicionado do primeiro quarto não funcionava, fui transferida. Limpa daqui, arruma de lá, e o lugar ficou habitável. Não vou mentir que fiquei cem por cento tranquila em encostar minha pele limpinha e bem cuidada naqueles lençóis de procedência e uso duvidosos, mas o cansaço venceu a frescura. Comecei a abrir a mala para pegar um pijama, batem à porta. Dois homens me entregam jornais (ahn?). Passo a chave. Começo a trocar de roupa, novas batidas. Me visto novamente, abro a parte, mais dois homens, diferentes, perguntando se há algo que eu desejo. Digo que não, fecho a porta. Estou de pijamas, mais batidas. Nesse momento, estou ao telefone com o Hathi (fofo!), planejando o nosso encontro que se daria nas próximas horas (taquicardia!). Grito através da porta: me deixem dormir! E obtenho a resposta: please, madam, open the door! aff Abro, dois novos homens, um deles segura uma bandeja com um copo contendo um líquido amarelado, enquanto o outro sorri e diz: welcome drink! Eu me dobrei às gargalhadas. Ninguém merece pessoas curiosas batendo à sua porta a cada cinco minutos. Mas, o mais inusitado é a oferta de “welcome drinks” não alcóolicos (suco de maçã! rs), às quase cinco da manhã, quando geralmente se está física e, no meu caso, também psicologicamente exausta. Eu só pude rir. Agradeci e frisei: por favor, quero dormir! Desliguei o telefone após mais um “ainda te amo” e me joguei na cama. Apaguei, acordei cerca de três horas e meia depois e fui para debaixo do chuveiro, saltava na água gelada, que me despertou (em alguns momentos era angustiante tomar banho de água fria, e eu só fui descobrir como acionar a água quente no meu último dia no Paquistão rs), vesti meu vestido mais lindo, ajeitei os cabelos, coloquei cores no rosto e o telefone tocou. Lá de baixo o recepcionista anunciava: Mr. Hathi is here. Autorizei a entrada. Olhei mais uma vez no espelho. Um minuto depois ele batia à porta... esqueci todos os medos e cheia de ansiedade abri... uma fresta... ele olhou através dela e sorriu, se escondeu atrás da porta, eu ri, abri e falei “entra”. Era ele, perfeito, de carne e osso, na minha frente, de verdade verdadeira, todinho meu e só pra mim... muito feliz! Ele abriu os braços e eu pulei... em cima dele! (rs) Tive assim, também, meu “momento Felícia”. Foi o maior e melhor dos abraços, o mais apertado, o mais desejado. E o melhor de tudo... ele também sentia o mesmo... todo o estresse anterior tinha valido a pena, aquele abraço bastou. Depois de minutos que pareceram eternidade, mas pareceram segundos, ele me segurou pelos braços e disse: deixa eu olhar pra você. Eu sem tirar os braços do pescoço do Hathi, levantei meu rosto em direção ao dele e, para a minha surpresa, ele tomou a iniciativa e me beijou. O mais longo e melhor dos beijos... totalmente inesperado – porque até então eu não sabia quais os limites que seriam rompidos, tantas foram as discussões sobre isso - , mas diversas vezes fantasiado... hum rum, eu o amava, ainda, sempre e, talvez, pra sempre... e estava absolutamente apaixonada, irreversivelmente...

9 comentários:

Thaís disse...

Meu Deus...
Como eu penso no meu primeiro encontro com Javed....
Imagino que vai ser praticamente igual ao da Mariyah..
Como eu quero isso... acho que n tem coisa q mais me deixaria feliz em contar com a possibilidade de ver ele em 2010, mas como isso vai demorar um tempo que n sei ainda quanto.... eu esperarei o tempo que for!!!

Mishal Zohaib disse...

Wow..Melhor de todos os posts...=)))..AHAZOUUUU BEECHA!

Meu lugar ao sol disse...

Vim pra dizer uns versinhos...rsrsr
O tempo

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.
Mário Quintana
Então aproveita o tempo do teu Ano Novo.
Guia teus passos pela justiça.
Te mantém próximo o que é te é caro e seja feliz.
Feliz Ano Novo.
Olívia

STÉFANI LOLLI disse...

Hehehe... Que lindooo! Nossa, esses hoteis do Pak parecem ser apavorantes mesmo! Hahaha... Mas o beijo foi a grande recompensa... Até imagino. Seu coração deve ter "saído pela boca". Hehehehehe! Lindo post.

Karla Reis disse...

realmente..o melhor de todos os posts!!
como eu sonho com isso tbm!!!

camilaconstruindopontes disse...

AHHH!!!!!!!!!!
Finalmente o encontro tão desejado!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!aDOREI!!!

Thaís disse...

Olívia amei esse poema..... é lindo demais.... tudo que eu acredito e faço...

fátinha disse...

Que conto maravilhoso, romantico e apaixonado....adorei.
To louca para ler o próximo capítulo e viajar junto com vc...rsrs
Continue nos presenteando com as suas aventuras romanticas e engraçadas.
Vc deveria (se já não está) escrever um livro, um romance...
Muita paz e muito amor....
beijos

PRISCILA ROBERTA DE MORAES disse...

Estou encantada com a sua história. Parabéns. Sabe, eu conheci um paquistânes e ele me perguntou se eu aceitaria viver no Paquistão, eu disse q sim. Mas depois de ler tantas coisas sobre as mulheres de lá estou com muito medo. Você pode me dar algum esclarecimento sobre isso? Desde já agradeço. Olha, gostaria de ter um pouquinho da sorte q vc teve. Estou realmente encantada.

Navegando nos arquivos

Related Posts with Thumbnails