terça-feira, 13 de outubro de 2009

Apaixonada por um Paquistanês - parte 19

By Mariyah
Não nos falamos por um período, mas sempre nos víamos online. Eu passei algum tempo com raiva, porque havia pedido espaço no começo de tudo e ele não havia respeitado e agora essa situação... Após algum tempo, falávamos esporadicamente, mas era estranho. Eu tentava focar no trabalho, mas paralelo ao que ocorria na minha vida pessoal, eu estava insatisfeita também com minha vida profissional. Havia decidido que não queria passar o resto da minha vida advogando, tinha certeza...mas, fazer o que? Já há muito eu estudava para concursos públicos (MP, Magistratura, Procuradoria, etc), mas também não tinha tanta convicção de que era isso que eu queria pra minha vida...
Enfim, mais confusão...
E veio o Ramadã, que até então eu não sabia muito ao certo do que se tratava... e ele me disse, em uma de nossas raras conversas que sumiria por uns tempos por conta das idas e vindas a casas de parentes e amigos e orações na mesquita. Foi angustiante... Ele sumiu mesmo...
Não nos falávamos como antes, mas eu estava acostumado a vê-lo na minha lista de amigos online, de repente não mais...2 dias, 3, 4, uma semana, 2... Eu não queria ligar, mas depois de tantos dias não resisti. Ele não atendeu, ou melhor, o telefone caía sempre naquela ladainha chata “apnakumdhjdhgfh” ou qualquer coisa assim que aquela voz feminina irritante dizia em urdu. Eu estava surtada, nada tinha graça e eu não conseguia me concentrar em coisa alguma... Fiquei com ódio mortal dele... FDP! Como que ele podia fazer isso comigo? (a essa altura há muito eu já não era uma pessoa normal... obcecada nada! Afff) Duas semanas e alguns dias depois ele reapareceu, eu tentava disfarçar minha ansiedade, minha raiva, irritação... Fiz como se tudo estivesse bem. Ele também agiu como se nada tivesse acontecido. Falou pouco tempo comigo. Foi quando eu o matei pela primeira vez (eu sempre usei essa metáfora pra me referir às pessoas as quais eu passei a ignorar, que deixaram de ter qualquer significado pra mim, por qualquer razão... sempre foi uma forma de defesa pra lidar com rejeição ou rancor, pra deixar de sentir-me rejeitada ou magoada). Se ele realmente queria um rompimento, pra que me prestar ao papel de mulher dramática? Fora todas aquelas outras questões que levantei: relação virtual, todas as dificuldades e diferenças que existiam, distância... Não valia a pena. A raiva dá forças. rs Fui viver minha vida, nesse meio tempo descobri a Diplomacia... Eu já havia pensado sobre isso algumas vezes, mas nunca duas vezes... Comecei a pesquisar e conclui que era aquilo que eu queria pra minha vida. Mas, era tão difícil quanto perfeito. rs
Na época localizei alguns cursos que preparavam para o exame em São Paulo, um deles oferecia bolsa (via de regra os cursos preparatórios para o exame do Rio Branco são bem caros afff), a prova era no dia seguinte a data em que eu li sobre ela. Não tinha estudado naaaada. Mas, fui fazer assim mesmo. Pensei, se Deus quiser, se for isso mesmo que é pra eu fazer, eu passo. Passei. No mês seguinte começava a minha preparação. Pressionada, resolvi me organizar para deixar meu trabalho. Não tinha condições de trabalhar de 10 a 12 horas em um escritório, depois ir para o curso, e ainda achar tempo de estudar. Fiz uma opção...feliz. E alguns meses depois deixei de advogar. Nesse ínterim, ainda falava com o Hathi, mas pouco. Ele havia morrido e, naquele momento, não significava muito pra mim. Estava empolgada com os estudos e me deixei envolver em outras coisas. Até que um dia, diante da situação, eu me fui. Eu sumi. Deixei de falar com ele, depois o bloqueei e deletei da minha lista de contatos. Enterro... Nenhum contato por dias, até que eu comecei a receber ligações insistentes dele. Ao fim do dia eu o atendi. Mais uma vez, aos prantos, ele me pedia pra voltar. Eu sentia um misto de felicidade e raiva. Ele prometeu que nos encontraríamos...mas quando? Bom, tal situação se repetiu ainda por duas ou três vezes... Hathi e seus dilemas, sua dúvidas, hesitações... quase me enlouqueceu. A última vez no início de 2008, quando mais uma vez rompemos. Eu jurei pra mim mesma que aquele seria seu último funeral. Ele, novamente, veio com a idéia de nos tornarmos amigos, já que outro tipo de relação era “impossível”. Ok, vou fazê-lo provar do veneno... Concordei! E assim ficamos, amigos, por semanas, até que num acesso de infantilidade (comum em mulheres (rs)) comuniquei-lhe minha reconciliação com o ex-namorado e provável noivado. Ele nem se abalou. (rs) Nossas conversas foram rareando novamente. Eu não tinha condições emocionais de lidar com aquilo. Pedi um tempo, mas disse que voltaria, que me desse uma semana de reflexão. (Sim eu sei, todo esse lenga lenga é muito chato e infantilóide, mas de fato ocorreu...) Dois dias se passaram e ele conversou com uma amiga comum, que veio me procurar... ele questionava se era verdade a estória sobre o meu noivado e pedia que ela intercedesse, que me procurasse e falasse que ele queria “prosear” comigo... na mesma noite conversamos, ele reafirmou o seu amor e que havia constatado o fato de que não podia viver sem mim (Sei...), me pediu pra ver o anel (de noivado), quis saber detalhes da festa (rs)... eu resolvi acabar com a palhaçada e contei a verdade...que, obviamente, ele já sabia... mas, não tinha 100% de certeza como ele mesmo disse, o que foi o suficiente para perturbá-lo e deixá-lo sem dormir por dois dias (rs)... Juras de amor eterno... nos veríamos naquele ano... abril?
A viagem em abril não se fez possível e a definição de uma nova data de encontro e todo o processo foi uma guerra... (rs) Eu não sabia exatamente quando iria...
Uma das minhas melhores amiga, há cerca de um ano atrás havia casado com um brasileiro, piloto da Emirates e havia se mudado para Dubai. E me enchia a paciência todas as vezes que ligava para que eu fosse visitá-la... juntei a fome com a vontade de comer... agora era só esperar a disposição do Mr. Hathi de ir lá me encontrar... eu iria até Dubai, ele iria até Dubai... e era isso... eu já tinha decidido... só faltava comunicá-lo e definirmos nova data...
Nessa mesma época, minha amiga amada, querida e idolatrada Eve definiu sua situação com o guapíssimo Habi e se organizava para o casamento no Paquistão. Quando do casamento, fez um pit stop de um mês(!) em minha humilde casinha em São Paulo, só indo embora depois de comer o galo (hehehehehe... brincadeira amada!).
Enfin, um belo dia Eve resolveu virar Mishal, e lá me fui com ela à Mesquita do Brasil, que com o perdão da brincadeira, fica no quinto... de tãooooo longe de casa. Chegamos lá, depois de perambular por horas na região e, próximo ao prédio com uma árvore no topo, enxergamos os minaretes da mesquita. Entramos, numa salinha, eu, Eve (futura Mishal), um guri egípcio e uma guria...paquistanesa. Um scholar explicava o islã para o grupo, em português, enquanto o sheikh, também egípcio, conversava em inglês com a paquistanesa. Ele tinha uma marca roxa, no meio da testa, de tanto rezar (os muçulmanos “desenvolvem” a tal bolinha roxa/preta na testa depois de anos de cara crachá com o chão. O Hathi também tem a referida bolinha, só que a dele é na testa quase na altura onde nascem os cabelos e não centralizada como a do sheikh, ele me explicou que isso é por conta do nariz giganteee que ele tem, que faz com que ele apoie a cabeça em outra posição (rs)). Foram todos muito bonzinhos e eu estava achando tudo aquilo imensamente interessante. A mesquita era muito bonita e enorme. Terminado o bate-papo, as pessoas dispersaram, e Dona Eve resolveu prolongar o blá blá blá, já era fim de tarde e uma chuva monstruosa ia cair, resolvi partir também, já que ela não tinha hora pra ir embora. Saí da mesquita conversando com a paquistanesa e em minutos ficamos amigas e trocamos telefone. Combinamos uma pizza para o dia seguinte, junto com Mishal e Carolita. E foi assim que ficamos amigas de Amreen, uma jovem estudante de medicina, dinamarquesa (na realidade!), de origem paquistanesa e muçulmana. Amreen estava no Brasil há dois meses, realizando pesquisa junto ao Hospital das Clínicas, e ficou impressionada com nossas estórias. Ela dizia que achava o Paquistão tão conservador e os homens paquistaneses tão austeros, que ela própria teria receio de casar-se com um (na época sua família procurava um marido pra ela, mas a seu pedido: de origem paquistanesa, no entanto criado na Europa!), então o fato de que brasileiras, criadas numa sociedade liberal e independentes estivessem envolvidas com paquistaneses lhe era chocante. Enchemos Amreen de perguntas, às quais ela respondeu dócil, porém franca.
Muito bem... pausa para uma descoberta...coincidência...curiosidade... Quando Amreen mencionou que morava na Dinamarca, imediatamente me lembrei de outra amiga, a equatoriana que “conheci” no youtube e que mais tarde veio a se casar com o marroquino que se hospedou na minha casa quando veio vê-la pela primeira vez. Isso porque ela era estagiária (a equatoriana) de uma empresa de engenharia no Equador, de origem Dinamarquesa, e seus dois chefes diretos eram...o que? Paquistaneses! Comentei com Amreen sobre a equatoriana, e no fim, descobrimos que a família da Amreen era amiga da família dos chefes paquistaneses da Carol (equatoriana!). The world is an egg! Marrocos – Brasil – Equador – Dinamarca – Paquistão – Brasil... what a mix! (rs)
Já estávamos em julho, e Mr. Hathi ainda não havia se posicionada sobre a ida à Dubai... eu me angustiava, porque nem amarrada pretendia ir ao Paquistão (apesar dos incentivos de Eve/Mishal e Carol). Ele dizia que seria muito difícil e, nessa época, ainda desempregado, afirmava não ter condições financeiras de ir até lá me encontrar... eu surtava, e estava disposta a pagar a passagem dele para que fosse me ver, mas ao Paquistão na iria... nem morta! Ele rejeitava a idéia, por orgulho e também por medo... da família. Cada uma! Ele dizia que não teria como justificar sua saída do país (até então a família não sabia da minha existência, ou melhor...sabia da nossa amizade virtual, mas não da profundidade dos nossos laços). Eu me irritava. Mas, tinha esperanças, quando ele dizia que talvez, se surgisse uma entrevista lá, ele pudesse ir. Em julho ele me disse que seu cunhado estava cogitando pedir demissão de seu emprego e ir à Dubai procurar oportunidades de trabalho, e que ele, então, imediatamente se prontificou a ir junto... uma nova esperança para nós...

4 comentários:

Mishal Zohaib disse...

hahahaha...to me sentindo uma "leitora" do meu proprio blog kkkkkkkkkkk..acordo e vejo o new post...tu jah monopolizou o negocio por aki msm neh ahahahaha...

ADOREIIIII...Me fez voltar no tempo (num passado nem tao distante neh)..E adoro o fato de vc ser prolixa hihihih, pq me faz lembrar de coisas q eu msm tinha eskecido...

TE AMO SUA BEECHA...Manda mais (apanha)

Thaís disse...

aiaiai.. no melhor da história ela para ............

karla machado disse...

Ai que agonia!!! Dessa vez não pode demorar tanto assim!!!

Beijo

STÉFANI LOLLI disse...

Oi querida!!!!! Não sei se você já reparou que há dias venho postando comentários no seu blog. Quero contar-lhe como o encontrei e contar minha estória de amor com um paquistanês ainda não concretizada. E eu quero te conhecer. Pelo amor de Deus! Eu estou desesperada!!!!!!!!! Eu enviei um mail para a Carol e estou necessitada, louca, desesperada para conversar com uma de vocês ou com as duas(melhor ainda). Me ajuda pleaseeeeeeeeeeeee! Eu quero conversar!!!!!! Eu tô desesperada. Vou adiantar um pouco, mas vou falar tudo por email. Eu namoro um paquistanês há pouco tempo mas nos amamos demais e tenho certeza que não é fogo de palha... Então tô mais louca pra conversar contigo sabe por que criatura de Deus? Porque vocÊ disse que fez curso pra ser diplomata! Cara eu vou infartar... Eu sou menor de idade e meu sonho sempre foi fazer um curso pra viajar muito mesmo. Daí um dia descobri esse curso e fiquei louca. Tenho pilhas de info no meu pc e como tenho SÓ 16 ANOS... uma pena... eu tenho que fazer facul e depois invisto no curso pra passar na "Rio Branco", que é um dos mais difíceis do mundo. Meu amore pleeeeeeeeeeeaaaaaaaaaaaaase... Eu estou necessitada. Eu sou louca com pessoas como vc. Que tem experiência, culta e viajada. Help me please... eu estou cursando inglês intermediário e sou muito estudiosa, modéstia parte... Sou o orgulho da mamãe e do papai... hehehehe. Me adiciona no msn, me mande um recadinho se quer... Msn:
stefani-lolli@hotmail.com
Beijos beijos ahhh eu sou do Rio.

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